Um americano em Paris: minha descoberta tardia (e agora apaixonada) de John Singer Sargent

Portraits d'Édouard et Marie-Louise Pailleron (1881), uma das pinturas mais impressionantes da exposição

Entrei na exposição "John Singer Sargent. Éblouir Paris" curiosa mas quase sem nenhuma informação. Normalmente leio sobre antes de ver uma exposição. Pra mim, John Singer Sargent era apenas o autor de Madame X, o retrato icônico da mulher de preto com a pele de porcelana branquérrima e um perfil lindamente pintado. Mas o que vi nas salas do Musée d'Orsay me deixou absolutamente impressionada. Mais de 90 obras reunidas pela primeira vez em Paris, a cidade onde tudo começou pra esse americano nascido em Florença que chegou aos 18 anos e revolucionou a forma de fazer retratos.

A França o conhece mal, apesar de sua história ser a de um americano em Paris. Um ícone pro povo anglo-saxão, mas um outsider aos olhos dos franceses. Esta é a primeira grande retrospectiva dedicada a Sargent na França. E ela corrige, finalmente, essa injustiça.

Florença, 1856: nasce um nômade

Sargent nasceu em Florença em 1856, no meio das andanças de sua família americana. Seus pais, Fitz William Sargent e Mary Newbold Singer, ricos e de espírito livre e boêmio, viajavam pela Europa pra tentar superar a morte da filha mais velha, que morreu aos 2 anos. Passaram por Nice, Roma, Toscana, os Alpes, eles não paravam quietos num lugar. Falavam fluentemente francês, italiano e alemão, e passavam os dias nos museus. A vida que eu gostaria de ter tido se tivesse vivido no século XIX.

Desde criança, conheceu os grandes mestres da Renascença, e mostrou talento excepcional pro desenho. A mãe, que tinha a pintura como hobby, o encorajou. Deu pra ele aulas de aquarela com o paisagista alemão Karl Welsch e, em 1873, o inscreveu na Academia de Belas Artes de Florença. Entre suas primeiras obras, um desenho de um Fauno Dançante, copiado de uma escultura antiga quando ele tinha apenas 18 anos, já mostrava a um traço elegante, com uma delicadeza nas sombras. 

Em 1874, é em Paris que ele desembarca pra estudar na École des Beaux-Arts. Durante quatro anos, seguiu as lições de Carolus-Duran, mestre que o iniciou em Courbet e Manet e o incentivou a se libertar "da rigidez do estilo dos antigos mestres". Conselho que ele seguiu copiando as obras tradicionais nos museus parisienses. Graças ao seu amigo próximo, o pintor Paul Helleu, com apenas 20 anos, Sargent já estava dentro dos círculos artísticos da capital. Conheceu Degas e Rodin, e a partir de 1877 começou a expor no Salon, a grande feira/exposição anual parisiense, obrigatório pros artistas criarem (ou perderem) uma reputação no mercado da arte.

O viajante incansável

Mas o espírito nômade falou mais alto e logo ele retomou suas viagens. Depois de uma primeira ida aos Estados Unidos em junho de 1876, partiu no final de 1879 pra uma travessia pela Europa. Nos Países Baixos, admirou Van Dyck. Voltou pra Itália, retornou de Capri com uma paisagem admirável de uma escada com mil nuances de branco. Suas estadias em Veneza o inspiraram a fazer telas completamente diferentes do que se espera de quem faz arte nesses lugares ultra pitorescos (pra não dizer instagramáveis no vocabulário atual), que colocam em cena espaços estranhos e incomuns, e me fez lembrar demais do método do Richter, outra exposição impressionante dessa temporada.

Na Espanha, aprofundou seu conhecimento do mestre do Século de Ouro espanhol, Velásquez, ao qual Carolus-Duran o havia iniciado, e cuja influência jamais ficou longe. Seguiu até o Norte da África, de onde trouxe numerosas paisagens exóticas.

Durante esses dez anos na cidade luz, Sargent sonhava em fazer carreira como paisagista. Cenas marítimas (uma das minhas pinturas preferidas é uma tempestade no mar, que tem um ponto de vista muito interessante pro espectador) ou vilarejos à beira-mar. Era o que ela gostaria mas não deu muito ibope não. O museu apresenta telas que realmente mostram um senso maravilhoso de luz e de composição, mas Sargent compreendeu rapidinho que o retrato, o velho e bom retrato, é o que ia acelerar sua carreira e impressionar a cena glam na Paris da Belle Époque.

Os retratos: uma galeria impressionante

No Salon, teve seu primeiro sucesso com uma pintura de seu mentor Carolus-Duran, em 1879. Seu retrato da jovem chilena Amalia Errázuriz y Urmeneta, surpreendida ao piano, impressionou igualmente. Ganhou uma segunda medalha no Salon e lhe permitiu se impor como uma espécie de Annie Leibovitz (fotógrafa mega famosa de celebs da Vanity Fair) do chiquê parisiense.

No início dos anos 1880, suas telas foram expostas ao lado das esculturas de Rodin, por quem tinha amizade e respeito. Realizou um retrato maravilhoso dele e recebeu em troca um torso em bronze de São João Batista. Pro autor de O Pensador, ele era "o Van Dyck de nosso tempo".

Outra tela que eu adoreeeei foi Fumée d'ambre gris foi inspirada numa viagem a Tânger mas realizada no seu ateliê em Paris. Um desbunde, gente. Muitos brancos diferentes como a da parede branca de cal, ou um tom mais casca de ovo do véu, outro mais prateado do incensário… enfim, uma obra-prima de nuances, um suntuoso exercício de estilo em torno da cor.

"Croniqueur plutôt que juge" ("cronista em vez de juiz"), como ele se definia, esse artista virtuoso se relacionou com outros expatriados, ao mesmo tempo que constituiu com brilho uma rede de artistas, escritores e colecionadores. Ele "oferece o espetáculo estranhamente inquietante de um talento que, no limiar de sua carreira, já não tem mais nada a aprender", comentou em 1883 o escritor Henry James, também americano exilado, de quem permaneceu próximo até o fim.

Durante sua década parisiense, Sargent compôs uma quantidade impressionante de retratos, espelho de uma sociedade cosmopolita em plena mutação, onde se encontravam aristocratas do Velho Mundo e novas fortunas.

Dr. Pozzi: o retrato de um sedutor

Esse retrato do Dr. Pozzi lembra demais o do papa Inocêncio X de Velásquez

Algumas obras que me marcaram profundamente nessa exposição. A primeira é Un portrait, dit aussi Le Docteur Pozzi dans son intérieur (1881), retrato monumental do Dr. Samuel Pozzi, um grande cirurgião, ginecologista e, dizem, também as más línguas um grande sedutor, figura dândi dos círculos dos estetas. Sargent confere a "essa criatura brilhante" a postura de um cardeal sensual à la Velasquez (lembra do Papa Inocêncio X?), que se impõe em seu longo roupão vermelho. Aliás, que tipo de personagem se deixa representar em robe de chambre? O vermelho sobre vermelho, as mãos elegantes e sensuais (vi poucos artistas com uma habilidade tão absurda pra representar mãos em todas as posições possíveis), a pose entre o sagrado e o profano. É um quadro que respira confiança, sofisticação e uma ousadia monstra. A pintura vibra, quase pega fogo.

As crianças de Sargent: infância sem idealização

Mas são os retratos de crianças que mais me impressionaram. Sargent pintou vários, e todos rompem radicalmente com as representações vitorianas convencionais de infância. Em vez de anjinhos idealizados, ele capta a complexidade psicológica, o estranhamento, a intensidade perturbadora que existe nas crianças reais.

O primeiro que me deixou sem ar, sério quando eu vi prendi a respiração, foi Portraits d'Édouard et Marie-Louise Pailleron (1881), seu primeiro retrato duplo formal. Os filhos do dramaturgo Édouard Pailleron e sua esposa Marie. Marie-Louise, de 11 anos, num vestido branco cheio de babados e laços, senta-se numa chaise e olha diretamente pra você. Uma pose que não é infantil. O irmão, Édouard, de preto, fica do outro lado do sofá, presença secundária que olha por cima do ombro. Mas é a menina que domina. Parece capa de disco de banda punk. Me causa uma sensação muito louca. Não tem doçura ali, tem presença. Tem personalidade forte. E uma certa inquietação. Marie-Louise mais tarde contou (talvez com algum exagero) que fizeram 83 sessões de pose, com batalhas sobre o figurino e o arranjo do cabelo. Dá pra imaginar: uma menina de personalidade forte confrontando um pintor igualmente obstinado. E o que Sargent capturou foi exatamente isso: a força de vontade, a intensidade, a recusa em ser apenas decorativa.

O segundo é Les Filles d'Edward Darley Boit (1882), que talvez seja ainda mais perturbador. Quatro meninas numa sala escura, dispostas de forma assimétrica, quase casual, com dois enormes vasos japoneses azuis e brancos que fazem a escala ficar estranha, mágica. O pai delas, Edward Darley Boit, era advogado de formação, mas também pintor amador, amigo de Sargent. A mais nova, Julia, de 4 anos, senta no chão e te olha diretamente. As mais velhas recuam progressivamente pra sombra, se tornam indistintas, como se estivessem desaparecendo pro futuro incerto da adolescência.

Como disse Caroline Corbeau-Parsons, curadora da exposição: "Com sua disposição assimétrica, num espaço que não é feito pra crianças, com seu enorme vaso japonês, a gente pensa logo em cinema, um filme muito estranho e dramático, como pode ser Alice no País das Maravilhas". Mais do que garotas surpreendidas em pleno jogo, elas parecem encerradas em seus abismos de mistérios.

O formato quadrado da tela, a composição espacial profunda, o jogo de luz e sombra, tudo remete a As Meninas de Velázquez. Mas Sargent não está copiando, está traduzindo aquela linguagem pro mundo burguês do final do século XIX. E fazendo isso de um jeito absolutamente revolucionário. Porque retratar crianças assim, sem idealização, sem pose bonitinha, capturando o estranhamento e a complexidade psicológica da infância, era radical. 

Nenhuma das quatro irmãs Boit se casou. Imagina o que isso significava na época.  As duas mais velhas sofreram problemas emocionais na maturidade. Tem algo de premonitório nesse retrato, como se Sargent tivesse captado o destino além da aparência. Uma coisa meio trágica, que me fez pensar depois, lendo sobre esse quadro no filme As Virgens Suicidas (1999), de Sofia Coppola. 

E esse As Meninas, também de Velásquez. Olha que maneira incrível de retratar crianças.

Velázquez como farol, mas com voz própria

A influência de Velázquez em Sargent não é só uma referência respeitosa, é apropriação criativa. A forma de usar uma paleta de cores escura, de construir volumes com pinceladas soltas e certeiras, de colocar as figuras em espaços arquitetônicos complexos, tudo isso está presente. Mas Sargent adiciona algo muito dele: uma sensualidade moderna, uma atenção às superfícies (tecidos, pele, objetos) que é puro domínio da técnica de pintura, e um olhar psicológico dos retratados.

Ele pintava rápido, com pinceladas longas e fluidas, usando pincéis compridos. A tinta é aplicada de forma grossa, meio impastada em alguns momentos. Tem uma energia ali, uma espontaneidade que contrasta com o rigor da composição. É como se ele pensasse muito antes de começar e depois executasse com uma liberdade absoluta.

"A cada retrato, eu perdia um amigo"

Sua audácia impressiona em cada um de seus retratos, por mais elogiosos que sejam. "À chaque fois que je réalisais un portrait, je perdais un ami" ("A cada vez que realizava um retrato, perdia um amigo"), garantia com uma certa ironia. Sentimento sem dúvida exagerado, pois muitos de seus modelos adoravam a liberdade que ele tomava ao representá-los.

Pra cada modelo, Sargent se reinventava. Igualmente surpreendente por seu caráter íntimo, o retrato de Louise Lefèvre, esposa de um jovem advogado ambicioso, com seu contraluz que atenua o vapor das cortinas. Ou sua representação de sua amiga próxima, a dramaturga e cronista Emma Allouard-Jouan, descrita por Henry James como "eminentemente sensível e distinta".

Madame X: o escândalo 

The one and only Madame X

Foi a mesma Emma Allouard-Jouan, dramaturga e cronista que revelou uma notícia que fez ferver de impaciência o high society parisiense: Sargent estaria pintando um retrato de Virginie Gautreau. Esposa de um banqueiro, a bela americana alimentava as fofocas parisienses. Pra capturar sua "beleza estranha, bizarra, fantástica e curiosa", o pintor multiplicou os esboços preparatórios, expostos no Musée d’Orsay. Ele a colocou em cena, com o corpo retorcido num interior sombrio, que faz, como seu longo e sensual vestido preto, ressaltar sua palidez e seu perfil afiado.

No Salon de 1884, Sargent apresentou esse retrato sob o título de Madame X. Aos olhos da modelo, era "uma obra-prima". Mas sua recepção causou escândalo: a alça do vestido, incrustada de pedras preciosas, escorregava do ombro, deixando adivinhar uma parte de um seio. Uma homenagem de Sargent à sua liberdade de pensamento e de costumes.

"Ao representar essa mulher, acusada de se infiltrar na alta sociedade usando sua aparência", explica a curadora Caroline Corbeau-Parsons, "ele retrata aqui a vaidade, a superficialidade da sociedade parisiense da qual ela era um dos ícones."

O mundinho da arte que o havia, por um tempo, elevado às alturas celestiais não lhe perdoou por ter aberto essa caixa de Pandora. Julgando a imoralidade bafônica da retratada em vez da virtuosidade do pintor, a crítica desembestou. Sargent chegou a “corrigir” a pintura ao subir a alça que não se devia ver, mas não pôde "apagar o incêndio". Essa tela, da qual ele só se separou muito tardiamente, era, aos seus olhos, "a melhor coisa que já tinha feito". 

Desarmado diante do bafafá, Sargent deixou Paris por Londres em 1886. Num primeiro momento, pensou em encerrar a carreira. Mas logo, graças sobretudo ao apoio de Henry James e da poderosa família Vickers, tornou-se o retratista oficial de todos os poderosos ingleses e americanos como o magnata John D. Rockefeller, o presidente Theodore Roosevelt ou o escritor Robert Louis Stevenson, que disputavam seus serviços.

Os laços com Paris

Mas ele preservou laços fortes com a cidade que o projetou ao sucesso. Em 1890, se engajou com força a favor da entrada da Olympia de Manet nas coleções nacionais, conduzindo uma campanha para angariar fundos ao lado de uma de suas modelos, Winnaretta Singer, herdeira do império das máquinas de costura.

E foi a França que lhe ofereceu seu primeiro reconhecimento institucional ao fazer entrar, em 1892, nas coleções do museu do Luxemburgo, seu retrato da dançarina de flamenco Carmencita, "criatura soberba e desconcertante", o tratamento dado ao tecido dessa pintura é surreal. Bem poucos americanos, e bem poucos retratistas, podiam então se vangloriar de ter assim seduzido o Estado francês.

Mas Sargent tinha apenas um arrependimento: que sua Madame X não tivesse sido escolhida.

As aquarelas: a liberdade reconquistada

Uma das maiores surpresas da exposição foram as aquarelas. Sargent produziu mais de 2.000 aquarelas ao longo da carreira, e a técnica dele é absolutamente única. Ele não tratava a aquarela como um meio secundário ou apenas preparatório. Usava gouache (aquarela opaca), empastava, construía camadas. O resultado são obras vibrantes, luminosas, com composições ousadas e recortes quase fotográficos.

Depois de 1902, quando já era reconhecido internacionalmente como o maior pintor americano da época, Sargent começou a recusar encomendas de retratos pra se dedicar às aquarelas e aos murais. Viajava constantemente, Europa, Oriente Médio, América do Norte, e pintava paisagens, cenas de trabalho, retratos informais. Nas aquarelas, a luz é capturada com uma intensidade incrível. A leveza da pincelada, as manchas de cor vibrante, os brancos preservados do papel criando brilho. Tem uma flertada com o Impressionismo ali, mas também uma composição muito pensada. Nada é casual, apesar de parecer espontâneo.

Entre Manet, Degas e os impressionistas: um lugar próprio

Vendo a exposição, as conexões com Manet e Degas ficam claríssimas. Sargent chegou em Paris poucos anos depois da primeira exposição impressionista, num momento em que a cidade fervia de debates sobre modernidade na pintura. Ele conheceu Claude Monet, admirava Manet, estava atento ao que Degas fazia com a composição e o desenho.

Em 2023, o Musée d'Orsay fez uma exposição maravilhosa "Manet/Degas" que mostrava o diálogo complexo, cheio de amizade e rivalidade, entre os dois gigantes. Sargent bebeu dessa fonte. A forma como ele enquadra as cenas, os ângulos inusitados, a atenção à vida urbana moderna, tudo dialoga com Manet e Degas. Mas ele nunca aderiu ao impressionismo de fato. Não buscava dissolver as formas na luz, não tinha interesse na pincelada fragmentada típica de Monet ou Renoir.

Sargent ficava no meio. Usava a paleta clara quando queria, experimentava com luz e cor, mas mantinha uma estrutura sólida, um desenho preciso, uma atenção ao volume que os impressionistas tinham abandonado. É um artista que não cabe numa caixinha ou estilo específico.

As últimas obras da exposição, aquelas pintadas já nos anos 1880, flertam mais abertamente com o impressionismo, especialmente nas paisagens ao ar livre. Mas mesmo aí, há sempre uma base estrutural, a consciência do desenho que nunca desaparece.

A potência da pincelada: o legado

O que fica, depois de ver 90 obras de Sargent numa tarde, é a consciência de estar diante de um mestre absoluto da técnica. O traço dele é poderoso, potente, cheio de convicção. Ele sabia exatamente onde colocar cada toque de cor, como construir um volume com três pinceladas, como fazer um tecido brilhar, como capturar a textura da pele sem tornar o retrato cafona.

Sargent foi praticamente esquecido na França depois que se mudou pra Londres. Esta é a primeira grande retrospectiva dedicada a ele em Paris. E a recepção foi enorme: quase meio milhão de visitantes quando passou pelo Met, em Nova York, e filas quilométricas aqui no Musée d'Orsay. Sargent nunca deixou de ser celebrado nos Estados Unidos e na Inglaterra, mas na França ele virou uma nota de rodapé. Até agora. Ver essas obras reunidas, entender a trajetória dele, perceber a complexidade e a sofisticação do trabalho, é um privilégio.

Fontes consultadas: Site oficial do Musée d'Orsay, The Metropolitan Museum of Art, BeauxArts.com e o Catálogo da exposição "Sargent. Éblouir Paris"

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