A origem do projeto
Joseph Kosuth, “One and Three Chairs”, 1965. MoMA, NY
Diego Velázquez, “Papa Inocêncio X”, 1650. Galerie Doria-Pamphilj, Rome
Francis Bacon, “Papa Inocêncio X”, 1961. Museu do Vaticano, Rome
A ideia de ter um projeto educacional sempre ficou guardada em uma gaveta do meu cérebro até que em 2021, depois de participar de um programa intensivo de planejamento estratégico para me reposicionar como artista, afinar minha pesquisa pictórica, minha prática e meu discurso, uma das possibilidades que emergiu foi explorar a minha vontade de compartilhar conhecimento.
Uma releitura descompromissada, 15 anos depois, do meu trabalho de conclusão do curso de Artes Plásticas com especialização em Teoria, Crítica e História da Arte foi o que deu origem ao Conversas sobre Arte. A virada de chave pra transformar o conteúdo desse texto em algo que pudesse sair do meio acadêmico para ser acessível ao maior número de pessoas, veio da percepção da riqueza e da originalidade da metodologia sente/arte que eu criei para que a História da Arte pudesse ser contada de uma maneira completamente inédita, mais leve e até divertida.
No finalzinho de 2022, um grupo de WhatsApp chamado Conversas sobre Arte foi criado e eu comecei a alimentá-lo com textos críticos sobre exposições visitadas, artistas que me interessavam, artigos, sugestão de livros e filmes. Comecei a fazer lives no Instagram ao mesmo tempo que continuava me dedicando à pintura no ateliê. No dia 8 de janeiro de 2023, a cidade de Brasília foi atacada e diversas obras de arte, dentro dos prédios que abrigam as instituições democráticas brasileiras, foram barbaramente destruídas.
Passado o choque, fiquei me perguntando se as pessoas tivessem um mínimo de conhecimento do valor histórico e cultural dessas peças e o que elas significam pro nosso povo se elas não poderiam ter sido preservadas. Independentemente da resposta, que pode ser um desalento, tomei pra mim essa missão, de transmitir conhecimento sobre História da Arte, normalmente legada às universidades, pra quem se interessa e tem vontade de entender por que a arte chegou aonde chegou.
Se meu desejo maior é ensinar, compartilhar conhecimento e ainda me dedicar ao meu ateliê, então um dos meus valores mais importantes é a aprendizagem contínua. Assim, depois de passar bastante tempo estudando sobre empreendendorismo, mercado digital, marcas pessoais, arte e inteligência artificial resolvei reestruturar o Conversas sobre Arte que agora chega com uma proposta mais abrangente.
Assim, mesmo sozinha, com muitas dúvidas, momentos de pausas e questionamentos, alternância de dedicação aos meus projetos e vida que acontece no meio, o Conversas sobre Arte agora existe como um ecossistema criativo com produtos e serviços diversos, construídos com muito amor e dedicação e no tempo que eles têm que acontecer.
Quem é a sua mentora
Lavinia Góes é, além de designer gráfica há 30 anos, artista plástica e contadora de História da Arte. Fez trabalhos para clientes como o Banco do Brasil, Ministério da Cultura, da Educação, Nações Unidas (Unicef e Unodc), Academia Brasileira de Ciências, L’Oréal e a exposição em Porto Alegre do fotógrafo francês Guy Bourdin. Na França atende como diretora de arte o centro cultural Electric Paris onde produziu quatro exposições na galeria desse espaço. Nos últimos dois anos participou de 14 exposições, entre elas a Nuit Blanche de 2024, evento de arte contemporânea como a única artista brasileira na programação oficial, a Collector's House, durante a Paris Design Week de 2024 no Espace Frans Kracjberg em Paris e foi premiada com o Grand Prix do Salon de Printemps dos Artistas Independentes de Ville d'Avray em 2023. Criou a logomarca da gráfica Copiver e do time Brasília Vôlei além de ter participado de diversos projetos artísticos e culturais como a histórica Demolition Party no Hotel Royal Monceau e o Festival Sensacional Brasil no Jardin d’Acclimatation.
Arte e design são seus assuntos preferidos e permeiam todas as áreas da sua vida. Multipotencial, pluridisciplinar e criativa, ama cadeiras. Objeto esse que se repete na sua produção artística, é o seu tema de pesquisa acadêmica e representa o elo entre as suas múltiplas práticas profissionais. Apaixonada por tecnologia e aprendizagem contínua, está sempre se atualizando em algum software ou lendo três livros ao mesmo tempo. Além disso, dedica-se a cursos sobre assuntos tão díspares quanto fabricação de tintas e pigmentos vegetais e inteligência artificial.
A artista carioca foi criada em Brasília, onde refinou seu olhar artístico e arquitetônico e mora em Paris com seu marido e dois filhos há 15 anos. Com um percurso profissional pouco comum, formou-se em Artes Plásticas com especialização em Teoria, Crítica e História da Arte para aprimorar suas habilidades como designer. Profissão essa que foi descoberta (e plenamente assumida) durante um projeto de pesquisa em arte e tecnologia na universidade. Também foi sócia da galeria de arte e concept store entre-tanto com a artista Cila MacDowell, no Rio de Janeiro antes de se instalar na França em 2009.
O Conversas sobre Arte, esse projeto educacional digital sobre história da arte é parte integrante do seu ecossistema criativo que compreende um estúdio de design gráfico e também seu ateliê de pintura na região parisiense.